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Galeria dos Patronos das Armas, Quadros e Serviços do Exército Brasileiro

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Inaugurada em 25 de Novembro de 2017

Ano Comemorativo do Centenário do Tiro de Guerra de Itapetininga

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Atenção: Para ter acesso a biografia do Patrono desejado, desça a página até encontrá-lo.

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Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, nasceu em 25 agosto de 1803, na fazenda de São Paulo, no Taquaru, Vila de Porto da Estrela, na Capitania do Rio de Janeiro, quando o Brasil era Vice-Reino de Portugal. Hoje, é o local do Parque Histórico Duque de Caxias, no município de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro.
Filho do Marechal de Campo Francisco de Lima e Silva e de D. Mariana Cândida de Oliveira Belo. Ao seu pai, veador da Imperatriz Leopoldina, coube a honra de apresentar em seus braços à Corte, no dia 2 de dezembro de 1825, no Paço de São Cristóvão, o recém-nascido que, mais tarde, viria a ser o Imperador D. Pedro II.
Em 22 de maio de 1808, época em que a Família Real portuguesa transfere-se para o Brasil, Luiz Alves é titulado Cadete de 1ª Classe, aos 5 anos de idade.
Pouco se sabe da infância de Caxias. Pelos almanaques do Rio de Janeiro da época e publicados pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que davam o nome das ruas em que moravam as autoridades governamentais, sabe-se que seu pai, desde capitão, em 1811, residia na rua das Violas, atual rua Teófilo Otoni. Esta rua das Violas, onde existiam fabricantes de violas e violões e onde se reuniam trovadores e compositores, foi o cenário principal da infância de Caxias.
Sabe-se que estudou no Convento São Joaquim, onde hoje se localiza o Colégio D.Pedro II, e próximo do Quartel do Campo de Santana, que ele viu ser construído e que hoje é o Palácio Duque de Caxias, onde está instalado o Comando Militar do Leste.
Em 1818, aos quinze anos de idade, matriculou-se na Academia Real Militar, de onde egressou promovido a Tenente, em 1821, para servir no 1º Batalhão de Fuzileiros, Unidade de elite do Exército do Rei.
O retorno da Família Real e as consequências que daí advieram concorreram para a almejada emancipação do país. D. Pedro proclamou a independência do Brasil e organizou, ele próprio, em outubro de 1822, no Campo de Santana, a Imperial Guarda de Honra e o Batalhão do Imperador, integrado por 800 guapos militares, tipos atléticos e oficiais de valor excepcional, escolhidos da tropa estendida a sua frente. Coube ao Tenente Luiz Alves de Lima e Silva receber das mãos do Imperador D. Pedro I a bandeira do Império recém-criada, na Capela Imperial, em 10 de novembro de 1822.
No dia 3 de junho de 1823, o jovem militar tem seu batismo de fogo, quando o Batalhão do Imperador foi destacado para a Bahia, onde pacificaria um movimento contra a independência comandado pelo General Madeira de Melo. No retorno dessa campanha, recebeu o título que mais prezou durante a sua vida – o de Veterano da Independência.
Em 1825, iniciou-se a Campanha da Cisplatina e o então Capitão Luiz Alves desloca-se para os pampas, junto com o Batalhão do Imperador. Sua bravura e competência como comandante e líder o fazem merecedor de condecorações e comandos sucessivos, retornando da campanha no posto de major.
A 6 de janeiro de 1833, no Rio de Janeiro, o Major Luiz Alves casava-se com a senhorita Ana Luiza de Loreto Carneiro Viana, que contava, na época, com dezesseis anos de idade.
Em 1837, já promovido a Tenente-Coronel, Caxias é escolhido, por seus descortino administrativo e elevado espírito disciplinador, para pacificar a província do Maranhão, onde havia iniciado o movimento da Balaiada.
Em 2 de dezembro de 1839, é promovido a Coronel e, por Carta Imperial, nomeado presidente da província do Maranhão e Comandante-Geral das Forças em operações, para que as providências civis e militares emanassem de uma única autoridade.
Em agosto de 1840, mercê de seus magníficos feitos em pleno campo de batalha, Caxias foi nomeado Veador de Suas Altezas Imperiais.
Em 18 de julho de 1841, em atenção aos serviços prestados na pacificação do Maranhão, foi-lhe conferido o título nobiliárquico de Barão de Caxias. Por quê Caxias? "Caxias simbolizava a revolução subjugada. Essa princesa do Itapicuru havia sido mais que outra algema afligida dos horrores de uma guerra de bandidos; tomada e retomada pelas forças imperiais, e dos rebeldes várias vezes, foi quase ali que a insurreição começou, ali que se encarniçou tremenda; ali que o Coronel Luiz Alves de Lima e Silva entrou, expedindo a última intimação aos sediciosos para que depusessem as armas; ali que libertou a província da horda de assassinos. O título de Caxias significava, portanto: – disciplina, administração, vitória, justiça, igualdade e glória", explica o seu biógrafo Padre Joaquim Pinto de Campos.
Em 1841, Caxias é promovido a Brigadeiro e, em seguida, eleito unanimemente deputado à Assembléia Legislativa pela província do Maranhão e, já em março de 1842, é investido no cargo de Comandante das Armas da Corte.
Em maio de 1842, iniciava-se um levante na província de São Paulo, suscitado pelo Partido Liberal. D. Pedro II, com receio de que esse movimento, alastrando-se, viesse fundir-se com a revolta farroupilha, que se desenvolvia no sul do Império, resolve chamar Caxias para pacificar a região. Assim, o Brigadeiro Lima e Silva é nomeado Comandante-Chefe das Forças em operações da província de São Paulo e, ainda, Vice-Presidente dessa província.
Cumprida a missão em pouco mais de um mês, o Governo, temeroso que a revolta envolvesse a província das Minas Gerais, nomeia Caxias Comandante do Exército pacificador naquela região, ainda no ano de 1842. Já no início do mês de setembro, a revolta estava abafada e a província, pacificada.
No dia 30 de julho de 1842, "pelos relevantes serviços prestados nas províncias de São Paulo e Minas", é promovido ao posto de Marechal de Campo graduado, quando não contava sequer quarenta anos de idade.
Ainda grassava no sul a revolta dos farrapos. Mais de dez presidentes de província e generais se haviam sucedido desde o início da luta, sempre sem êxito. Mister da capacidade administrativa, técnico-militar e pacificadora de Caxias, o Governo Imperial nomeou-o, em 1842, Comandante-Chefe do Exército em operações e Presidente da província do Rio Grande do Sul.
Logo ao chegar a Porto Alegre, Caxias fez apelo aos sentimentos patrióticos dos insurretos através de um manifesto cívico. A certo passo, dizia: "Lembrai-vos que a poucos passos de vós está o inimigo de todos nós – o inimigo de nossa raça e de tradição. Não pode tardar que nos meçamos com os soldados de Oribes e Rosas; guardemos para então as nossas espadas e o nosso sangue. Abracemo-nos para marcharmos, não peito a peito, mas ombro a ombro, em defesa da Pátria, que é a nossa mãe comum".
Mesmo com carta branca para agir contra os revoltosos, marcou sua presença pela simplicidade, humanidade e altruísmo com que conduzia suas ações. Assim ocorreu quando da captura de dez chefes rebeldes aprisionados no combate de Santa Luzia, quando, sem arrogância, com urbanidade e nobreza, dirigiu-se a eles dizendo: "Meus senhores, isso são conseqüências do movimento, mas podem contar comigo para quanto estiver em meu alcance, exceto para soltá-los".
Se no honroso campo da luta, a firmeza de seus lances militares lhe granjeava o rosário de triunfos que viria despertar nos rebeldes a ideia de pacificação, paralelamente, seu descortino administrativo, seus atos de bravura, de magnanimidade e de respeito à vida humana, conquistaram a estima e o reconhecimento dos adversários. Por essas razões é que os chefes revolucionários passaram a entender-se com o Marechal Barão de Caxias, em busca da ambicionada paz. E, em 1º de março de 1845, é assinada a paz de Ponche Verde, dando fim à revolta farroupilha.
É, pois, com justa razão que o proclamam não só Conselheiro da Paz, senão também o Pacificador do Brasil – epíteto perpetuado em venera nobilitante.
Em 1845, Caxias é efetivado no posto de Marechal de Campo e é elevado a Conde. Em seguida, mesmo sem ter se apresentado como candidato, teve a satisfação de ter seu nome indicado para Senador do Império pela província que pacificara há pouco. Em 1847, assume efetivamente a cadeira de Senador pela província do Rio Grande do Sul.
A aproximação das chamas de uma nova guerra na fronteira sul do Império acabaram por exigir novamente a presença de Caxias no Rio Grande do Sul e, em junho de 1851, foi nomeado presidente da província e Comandante-Chefe do Exército do Sul, ainda não organizado. Essa era a sua principal missão: preparar o Império para uma luta nas fronteiras dos pampas gaúchos.
Assim, em 5 de setembro de 1851, Caxias adentra o Uruguai, batendo as tropas de Manoel Oribe, diminuindo as tensões que existiam naquela parte da fronteira.
Em 1852, é promovido ao posto de Tenente-General e recebe a elevação ao título Marquês de Caxias.
Em 1853, uma Carta Imperial lhe confere a Carta de Conselho, dando-lhe o direito de tomar parte direta na elevada administração do Estado e, em 1855, é investido no cargo de Ministro da Guerra.
Em 1857, por moléstia do Marquês de Paraná, assume a presidência do Conselho de Ministros do Império, cargo que voltaria a ocupar em 1861, cumulativamente com o de Ministro da Guerra.
Em 1862, foi graduado Marechal do Exército, assumindo novamente a função de Senador no ano de 1863.
Em 1865, inicia-se a Campanha da Tríplice Aliança, reunindo Brasil, Argentina e Uruguai contra as Forças paraguaias de Solano Lopez.
Em 1866, Caxias é nomeado Comandante-Chefe das Forças do Império em operações contra o Paraguai, mesma época em que é efetivado Marechal do Exército. Cabe destacar que, comprovando o seu elevado descortínio de chefe militar, Caxias utiliza, pela primeira vez no continente americano, a aeroestação (balão) em operações militares, para fazer a vigilância e obter informações sobre a área de operações.
O tino militar de Caxias atinge seu ápice nas batalhas dessa Campanha. Sua determinação ao Marechal Alexandre Gomes Argolo Ferrão para que fosse construída a famosa estrada do Grão-Chaco, permitindo que as Forças brasileiras executassem a célebre marcha de flanco através do chaco paraguaio, imortalizou seu nome na literatura militar. Da mesma forma, sua liderança atinge a plenitude no seu esforço para concitar seus homens à luta na travessia da ponte sobre o arroio Itororó – "Sigam-me os que forem brasileiros".
Caxias só deu por finda sua gloriosa jornada ao ser tomada a cidade de Assunção, capital do Paraguai, em 1º de janeiro de 1869.
Em 1869, Caxias tem seu título nobiliárquico elevado a Duque, mercê de seus relevantes serviços prestados na Campanha contra o Paraguai.
Em 1875, pela terceira vez, é nomeado Ministro da Guerra e presidente do Conselho de Ministros.
Caxias ainda participaria de fatos marcantes da história do Brasil, como a Questão Religiosa, o afastamento de D. Pedro II e a Regência da Princesa Isabel. Já com idade avançada, Caxias resolve retirar-se para sua terra natal, a província do Rio de Janeiro, na Fazenda Santa Mônica, na estação ferroviária do "Desengano", hoje Juparaná, próximo a Vassouras.
No dia 7 de maio de 1880, às 20 horas e 30 minutos, fechava os olhos para sempre aquele bravo militar e cidadão que vivera no seio do Exército para glória do próprio Exército.
No dia seguinte, em trem especial, chegava na Estação do Campo de Santana o seu corpo, vestido com o seu mais modesto uniforme de Marechal de Exército, trazendo ao peito apenas duas das suas numerosas coondecoraçõoes, as únicas de bronze: a do Mérito Militar e a Geral da Campanha do Paraguai, tudo consoante suas derradeiras vontades expressas.
Outros desejos testamentários são respeitados: enterro sem pompa; dispensa de honras militares; o féretro conduzido por seis soldados da Guarnição da Corte, dos mais antigos e de bom comportamento, aos quais deveria ser dada a quantia de trinta cruzeiros (cujos nomes foram imortalizados no pedestal de seu busto, no passadiço do Conjunto Principal antigo da Academia Militar das Agulhas Negras); o enterro custeado pela Irmandade da Santa Cruz dos Militares; e seu corpo não embalsamado.
Quantas vezes o caixão foi transportado, suas alças foram seguras por seis Praças de Pré do 1º e do 10º Batalhão de Infantaria.
No ato do sepultamento, o grande literato Visconde de Taunay, então Major do Exército, proferiu alocução assim concluída: "Carregaram o seu féretro seis soldados rasos; mas, senhores, esses soldados que circundam a gloriosa cova e a voz que se levanta para falar em nome deles, são o corpo e o espírito de todo o Exército Brasileiro. Representam o preito derradeiro de um reconhecimento inextinguível que nós militares, de norte a sul deste vasto Império, vimos render ao nosso velho Marechal, que nos guiou como General, como protetor, quase como pai, durante 40 anos; soldados e orador, humilde todos em sua esfera, muito pequenos pela valia própria, mas grandes pela elevada homenagem e pela sinceridade da dor".
Em 25 de agosto de 1923, a data de seu aniversário natalício passou a ser considerada como o Dia do Soldado do Exército Brasileiro, Instituição que o forjou e de cujo seio emergiu como um dos maiores brasileiros de todos os tempos. Ele prestou ao Brasil mais de 60 anos de excepcionais e relevantes serviços como político e administrador público de contingência e, inigualados, como soldado de vocação e de tradição familiar, a serviço da unidade, da paz social, da integridade e da soberania do Brasil Império.
Em mais uma justa homenagem ao maior dos soldados do Brasil, desde 1931, os Cadetes do Exército, da Academia Militar das Agulhas Negras, portam como arma privativa, o Espadim de Caxias, cópia fiel, em escala, do glorioso e invicto sabre de campanha de Caxias, que desde 1925 é guardado como relíquia pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que o Duque de Caxias integrou como sócio honorário a partir de 11 de maio 1847.
O Decreto do Governo Federal de 13 de março de 1962 imortalizou o nome do invicto Duque de Caxias como o Patrono do Exército Brasileiro.
Atualmente, os restos mortais do Duque de Caxias, de sua esposa e de seu filho, repousam no Panteon a Caxias, construído em frente ao Palácio Duque de Caxias, na cidade do Rio de Janeiro.

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Antônio de Sampaio nasceu em 24 de maio de 1810, na cidade de Tamboril, estado do Ceará. Filho de Antônio Ferreira de Sampaio e Antônia Xavier de Araújo, foi criado e educado pelos pais no ambiente simples dos sertões.
Cedo revelou interesse pela carreira militar, galgando postos por merecimento graças a inúmeras demonstrações de bravura, tenacidade e inteligência. Foi Praça em 1830; Alferes em 1839; Tenente em 1839; Capitão em 1843; Major em 1852; Tenente-Coronel em 1855; Coronel em 1861 e Brigadeiro em 1865.
Sampaio teve atuação destacada na maioria das campanhas de manutenção da integridade territorial brasileira e das que revidaram as agressões externas na fase do Império: Icó (CE), 1832; Cabanagem (PA), 1836; Balaiada (MA), 1838; Guerra dos Farrapos (RS), 1844-45; Praieira (PE), 1849-50; Combate à Oribe (Uruguai), 1851; Combate à Monte Caseros (Argentina), 1852; Tomada do Paissandu (Uruguai), 1864; e Guerra da Tríplice Aliança (Paraguai), 1866. Foi condecorado por seis vezes, no período de 1852 a 1865, por Dom Pedro II, então Imperador do Brasil.
Recebeu três ferimentos na data do seu aniversário, 24 de maio, na Batalha de Tuiuti, em 1866. O primeiro, por granada, gangrenou-lhe a coxa direita; os outros dois foram nas costas. Faleceu a bordo do vapor hospital Eponina, em 06 de julho de 1866, quando do seu transporte para Buenos Aires.
Homem puro e patriota, Sampaio destacava-se por ser capacitado e corajoso, inteiramente dedicado à vida militar. Exemplo de exponencial bravura, foi consagrado Patrono da Arma de Infantaria do Exército Brasileiro, pelo Decreto 51.429, de 13 de março de 1962.

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10 de maio de 1808. Nasce na Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio, atual Município de Osório (RS), o menino Manuel Luis Osorio.
Filho de estanceiro, aprende desde cedo a dominar como ninguém os animais que lhe servem de montaria. De praça do Exército Imperial aos quinze anos de idade, galga todos os postos da hierarquia militar de sua época, mercê dos atributos de soldado que o consagram como "O Legendário".
Comandante de esquadrões, regimentos e exércitos, em período conturbado de nossa história, participa com brilhantismo das Campanhas da Independência, Cisplatina, de Monte Caseros e da Guerra da Tríplice Aliança.
De seus vários atos de bravura, astúcia e heroísmo destaca-se a atuação como tenente-coronel em Monte Caseros, quando, à frente do 2º Regimento de Cavalaria, na vanguarda das tropas brasileiras, inflige ao inimigo o rompimento do seu dispositivo de defesa e comanda decisivas operações de aproveitamento do êxito e perseguição.
Marechal e marquês, em seu brasão há três estrelas douradas que representam os ferimentos sofridos no rosto durante a cruenta Batalha de Avaí, em dezembro de 1868.
A despeito do reconhecimento que lhe fora dispensado até mesmo pelos inimigos de então e da popularidade que o transformara em mito nos campos de batalha, Osorio expirou em 4 de outubro de 1879 com a mesma simplicidade que o acompanhara durante toda a vida.
Hoje, o Parque Osorio, situado na mesma terra que o viu nascer, acolhe os restos do insigne Patrono da Arma de Cavalaria. O patrono da Arma de Cavalaria é o Marechal Osorio.

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Emílio Luís Mallet nasceu a 10 de junho de 1801, em Dunquerque, França. Veio para o Brasil em 1818, fixando-se no Rio de Janeiro.
Mallet recebeu do Imperador D. Pedro I – que o conhecia e lhe reconheceu a vocação para a carreira das Armas – convite para ingressar nas fileiras do Exército nacional, que se estava reorganizando após a recém-proclamada Independência. Alistou-se a 13 de novembro de 1822, assentando praça como 1° cadete. Iniciou, assim, uma vida militar dedicada inteiramente ao Exército e ao Brasil.
Em 1823 matriculou-se na Academia Militar do Império. Como já possuía os cursos de Humanidade e Matemática, foi-lhe dado acesso ao de Artilharia. Nesse mesmo ano, jurou a Constituição do Império, adquirindo nacionalidade brasileira.
Comandava Mallet a 1ª Bateria do 1º Corpo de Artilharia Montada quando seguiu para a Campanha Cisplatina. Recebeu seu batismo de fogo e assumiu o comando de quatro baterias. Revelou-se soldado de sangue frio, valente, astuto. Fez-se respeitado por sua tropa, pelos aliados e pelos inimigos

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João Carlos Villagran Cabrita nasceu em Montevidéu, onde seu pai – oficial brasileiro – estava a serviço, no dia 30 de dezembro de 1820. Vinte e dois anos mais tarde, foi declarado alferes-aluno.
O 1º Batalhão de Engenheiros, em junho de 1865 – tendo Villagran como fiscal administrativo –, partiu de seu quartel na Praia Vermelha (RJ) para o teatro de operações da Guerra da Tríplice Aliança, vindo a empenhar-se em sérios embates no final daquele ano. Em 1866,o major Villagran Cabrita assumiu o comando do batalhão em decorrência do afastamento do comandante efetivo que fora comandar uma brigada auxiliar de Artilharia.
O Exército Imperial brasileiro marchava, célere, contra o inimigo, quando defrontou-se com o caudaloso rio Paraná. Àquela altura, o ritmo da campanha impunha uma complexa transposição de curso de água, e o Passo da Pátria foi a área de travessia selecionada. Na margem paraguaia, o Forte de Itapiru pairava imponente e, do lado argentino, a imensa planície da Província de Corrientes proporcionava excelentes posições de artilharia. Quase no meio do rio, na frente do Itapiru, existia uma ilha – na verdade um banco de areia – coberta por vasto capinzal. Essa ilha, mais tarde denominada ilha da Redenção ou do Cabrita, iria transformar-se em cenário de sangrentos combates e altar de glórias.
Villagran Cabrita desembarcou naquele local, na madrugada de seis de abril de 1866, com seu batalhão de 900 homens, quatro canhões La hitte e quatro morteiros, indo juntar-se ao 7º Batalhão de Voluntários da Pátria, ao 14º Provisório de Infantaria e aos voluntários das províncias do Norte. Os couraçados Bahia e Tamandaré e duas canhoneiras realizavam os fogos de proteção.
Os soldados de Villagran trabalharam incessantemente, preparando a defesa dessa base insular, pois era previsível que o inimigo tentaria recuperá-la em curto espaço de tempo.
O esforço não foi em vão. Às quatro horas do dia dez de abril, mais de onze mil adversários, protegidos pela densa escuridão da madrugada, contra-atacaram as posições brasileiras que tinham à sua frente a figura vigilante e intrépida de Cabrita.
A impecável atuação da Esquadra brasileira e o destemor dos soldados de terra negaram ao inimigo a retirada que este tentou empreender. A refrega foi renhida. Mais de 600 corpos do inimigo pontilharam o arenoso solo da ilha e outros tantos foram arrastados pelo rio tinto de sangue.
Amanhecia o dia dez de abril de 1866, quando, finalmente, as vibrantes notas dos clarins do batalhão encheram os céus com o toque da vitória. O lamentável, no entanto, estaria por acontecer. Villagran, enquanto redigia a parte de combate a bordo de um lanchão, foi atingido por uma bala de canhão 68 que ceifou-lhe a vida, interrompendo-lhe a brilhante carreira.
Justas homenagens foram prestadas à memória do bravo combatente, destacando-se a concessão da insígnia de Cavaleiro da Ordem de Cristo pelo Governo Imperial. Entre outras, uma unidade do Exército, o Batalhão Escola de Engenharia, sediado em Santa Cruz (RJ), recebeu o glorioso nome de Villagran Cabrita e a honra de manter acesa a chama do heroico Batalhão de Engenheiros.
É por demais justa a escolha dessa figura imortal para o patronato da Arma de Engenharia, cujo símbolo – o castelo lendário – perpetua o trabalho dos seus integrantes e abriga, como um templo, as tradições e os feitos do seu ilustre Patrono.

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Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu a 5 de maio de 1865, em Mimoso, próximo a Cuiabá, Mato Grosso. Filho de Cândido Mariano da Silva e Claudina de Freitas Evangelista da Silva, perdeu o pai antes de seu nascimento e a mãe quando tinha dois anos de vida, tendo sido então criado pelo avô e por um tio, de quem herdou e incorporou o sobrenome "Rondon".
Muito cedo Rondon despertou seu pendor para a carreira das armas, ingressando na Escola Militar da Praia Vermelha aos 16 anos de idade. Em 1888 era promovido a alferes (posto correspondente hoje a "aspirante-a-oficial").
Durante sua vida, Rondon dedicou-se a duas causas mestras: a ligação dos mais afastados pontos da fronteira e do sertão brasileiro aos principais centros urbanos e a integração do indígena à civilização. Somente uma ou outra tarefa teriam bastado para justificar o nome de Rondon na História. Mas o ilustre militar foi muito além.
Na primeira empreitada, Rondon desbravou mais de 50.000 quilômetros de sertão e estendeu mais de 2.000 quilômetros de fios de cobre pelas regiões do País, ligando as mais longínquas paragens brasileiras pela comunicação do telégrafo. Como indigenista, pacificou tribos, estudou os usos e costumes dos habitantes dos lugares percorridos, participou da criação de medidas legais de proteção aos silvícolas. Tanto que, a 7 de setembro de 1910, foi nomeado diretor da Fundação do Serviço de Proteção aos Índios, precursora da atual Fundação Nacional de Assistência ao Índio, em face do muito que já realizara e da estatura moral e intelectual patenteada em toda sua carreira.
Além dessas conquistas, as expedições de Rondon também contribuíram para que quinze novos rios viessem a figurar em nossos mapas como resultado de suas explorações fluviais; o Museu Nacional enriqueceu-se com vinte mil exemplares de nossa fauna e flora, devidamente inventariados; enorme área de quinhentos mil quilômetros quadrados foi integrada ao espaço brasileiro; e foram compilados, num total de setenta volumes, relatórios alusivos à Biologia, Geologia, Hidrografia e todos os aspectos das regiões antes desconhecidos.
O reconhecimento da obra de Rondon extrapolou as fronteiras do Brasil. Teve a glória de ter seu nome escrito em letras de ouro maciço no Livro da Sociedade de Geografia de Nova Iorque, como o explorador que penetrou mais profundamente em terras tropicais, ao lado de outros imortais como Amundsen e Pearry, descobridores dos pólos Norte e Sul; e Charcot e Byrd, exploradores que mais profundamente penetraram em terras árticas e antárticas.
Na sessão solene do Congresso Nacional de 5 de maio de 1955, já com 90 anos, Rondon recebeu as insígnias do posto de marechal. Faleceu, no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, aos 92 anos.
A tenacidade, a dedicação, a abnegação e o altruísmo, atributos marcantes de sua personalidade, o fizeram merecedor, com indiscutível justiça, do título de Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro, sendo sua data natalícia tomada como o Dia Nacional das Comunicações.

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Carlos Antônio Napion nasceu em Turim na Itália, a 30 de outubro de 1757, onde, como militar e engenheiro dotado de cultura técnico-especializada na área do Material Bélico, alcançou o posto de major.
A partir de 1800 passou a prestar serviços ao Exército do Reino de Portugal e, em 1808, veio para o Brasil com o Príncipe Regente D. João VI, onde recebeu a missão de lançar as bases e promover o desenvolvimento da indústria bélica nacional. Com dinamismo, descortino e objetividade, o ínclito militar lançou a semente da logística do material. Atingiu o posto de tenente-general, o último da hierarquia militar no Brasil, no qual veio a falecer em 22 de junho de 1814, quando presidia a Junta da Real Academia Militar.
Prestou relevantes serviços ao Brasil quando este se tornou Reino Unido a Portugal e Algarve. Em razão disso, teve brilhante trajetória militar, ascendendo ao posto de oficial-general exclusivamente por seus méritos. Dentre seus trabalhos, destacam-se o esforço que empreendeu nos primórdios da industrialização do País e os livros técnicos que escreveu.
Alguns dos cargos exercidos por Napion:
- Inspetor-Geral da Real Junta Fazenda dos Arsenais, Fábricas e Fundições;
- Diretor do Arsenal Real do Exército;
- Diretor e Organizador da Real Fábrica de Pólvora da Lagoa;
- Inspetor-Geral de Artilharia;
- Membro do Conselho Supremo Militar;
- Inspetor e Fiscal da Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema; e
- Presidente da Junta Militar da Academia Real Militar.

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Nascido a 12 de abril de 1840, em Porto Alegre, filho do Brigadeiro Jacinto Machado Bitencourt e de D. Ana Maurícia da Silva Bitencourt, o patrono do Serviço de Intendência do Exército Brasileiro, Marechal Carlos Machado Bitencourt, em plena infância já demonstrava pendor para a carreira das Armas – uma tradição de família, pois militares também o eram o avô e o pai.
Esses exemplos de amor à Pátria e coragem cívica o entusiasmaram e o impeliram às fileiras do Exército. Assentou praça a 1º de janeiro de 1857, com 17 anos. Galgou por mérito todos os demais postos de uma brilhante carreira e viveu a honrosa situação de combater em algumas circunstâncias sob as ordens do pai, na Guerra da Tríplice Aliança.
Bitencourt destacou-se como encarregado da logística nas operações desenvolvidas pelo Exército contra os insurretos de Canudos. Recém-empossado como ministro da Guerra, interveio pessoalmente na campanha cujo óbice maior era a ausência de uma cadeia de suprimentos, já que a falta destes dificultava o bom desempenho das forças legais. Organizou e sistematizou o transporte de pessoal e material, tornando efetivo e contínuo o fluxo de reabastecimento das tropas, o que possibilitou a derrota dos rebelados. Sua brilhante atuação foi essencial para o resultado final daquele conflito.
Carlos Bitencourt dedicou 40 anos de relevantes serviços prestados à Pátria até o momento de sua morte, a 05 de novembro de 1897, quando buscava salvar o então Presidente Prudente de Morais de um atentado com arma branca.
O Exército deve a Bitencourt o aprendizado do insígne Thiers, autor de História do Consulado e do Império: "É necessário ter o espírito de ordem e minuciosidade, porque o militar não se educa para a guerra somente: alimenta-se, veste-se, arma-se e cura-se. A cada movimento é necessário pensar na véspera e no dia seguinte, nos flancos e na retaguarda; mover tudo consigo: munições, víveres e hospitais".
Um pouco de história...
Finda a Campanha de Canudos em 1897, o Marechal Bitencourt voltou ao Rio de Janeiro, capital da República à época. A 5 de novembro do mesmo ano regressavam as forças que haviam lutado no sertão baiano. A tropa desembarcou do navio Espírito Santo e foi recepcionada pelo Presidente da República, Prudente de Morais. Durante as honras militares, saiu das fileiras do 10º Regimento de Infantaria o anspeçada (na ocasião, uma graduação entre soldado e cabo) Marcelino Bispo de Melo, 19 anos, que sacou de um punhal e arremeteu-se contra o presidente. Bitencourt correu a salvar o chefe do Executivo e o fez com o ônus da própria vida.

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Ricardo Franco de Almeida Serra, português de nascimento, aportou no Brasil em 1780. Formado em Engenharia e Infantaria, esse engenheiro-soldado, cartógrafo, geógrafo e astrônomo tornou-se um dos expoentes do desbravamento e da defesa do imenso território brasileiro nas regiões Norte e Centro-Oeste, tendo feito desde o mapeamento dessas regiões a obras de engenharia.
Entre os séculos XVIII e XIX persistiam as disputas territoriais entre Portugal e Espanha, uma vez que não estavam definidas as fronteiras do Brasil com as colônias espanholas na América do Sul. Confrontos armados eram freqüentes e inevitáveis na disputa por expansão de terras. Era urgente assegurar nossa integridade territorial. Para isso, foi necessário desbravar e registrar a geografia do Brasil nas áreas fronteiriças e construir fortificações em pontos estratégicos para a manutenção do território conquistado e demarcado.
O coronel Ricardo Franco fez o levantamento de fronteiras, explorando mais de 50 rios das bacias do Amazonas e do Prata, e mapeou as capitanias do Grão-Pará, Piauí, de São José do Rio Negro e de Mato Grosso. Além disso, dirigiu trabalhos de construção de várias fortificações, entre as quais o Quartel dos Dragões de Vila Bela (no atual Mato Grosso) e o Forte Príncipe da Beira (em Rondônia).
Das obras de Ricardo Franco, sobressai a construção e defesa do Forte Coimbra, em pleno pantanal sul-matogrossense.
O coronel Ricardo Franco faleceu em 21 de janeiro de 1809, aos 61 anos, ainda no comando do Forte Coimbra.

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O general-de-brigada médico João Severiano da Fonseca, nascido a 27 de maio de 1836, em Alagoas.
Médico, militar, escritor, historiador e diplomata, ingressou na carreira das armas dois anos após seu doutoramento, em 1862.
Tomou parte na Campanha do Uruguai, apresentando-se como voluntário, embora doente e ainda em licença para tratamento . De substancial valor foi seu desempenho em Salto e Paissandu, marcos iniciais de um ciclo glorioso, que prosseguiria na Guerra da Tríplice Aliança.
Ao longo desse conflito, não lhe faltaram louvores em profusão de seus chefes, assinalando a excelência do serviço prestado ou da tarefa bem cumprida. Inúmeras foram as condecorações que recebeu, sendo o único oficial do Corpo de Saúde condecorado com a Ordem do Cruzeiro.
Fez toda a Campanha da Tríplice Aliança vivenciando e sofrendo as dificuldades impostas pelas condições climáticas, que variavam do intenso calor no verão às chuvas prolongadas na primavera e ao intenso frio do inverno. Como se isso não bastasse, atendeu as epidemias de varíola e cólera, lutando contra a precariedade do estado sanitário da tropa. Aplicou-se, incansavelmente, contra os piores inimigos da guerra, que eram as doenças infecto-contagiosas. No meio dessa terrível guerra, estava o Patrono sempre zeloso, humanitário e inteligente.
Como filho de militar, trazia no sangue a vontade de lutar pela Pátria. Ele e seus ilustres dois irmãos, Hermes Hernesto e Manuel Deodoro, conseguiram retornar aos seus lares e continuar a carreira no Exército. Infelizmente, não tiveram a mesma sorte seus outros irmãos, major Eduardo Emiliano, tenente Hypólito e alferes Afonso Aurélio, que faleceram em combate, nas batalhas de Curupaiti e Itororó.
Eclético e dotado de invejável inteligência, foi colocado à disposição do "Ministério dos Estrangeiros", a fim de fazer parte da Comissão de Limites entre o Brasil e a Bolívia.
Membro dos mais cultos da Comissão, soube o Dr Fonseca coligir incontáveis observações, especialmente de caráter científico, no decurso de seus três anos de peregrinações através das províncias limítrofes com a Bolívia. Esse repositório de observações constituiria, mais tarde, matéria para o seu precioso livro "Viagem ao redor do Brasil".
Promovido a general-de-brigada em 1890, chegou ao mais alto cargo do Corpo de Saúde, com o título (da época) de inspetor-geral do Serviço de Saúde do Exército. Afastou-se da ativa quando eleito senador, retornando à Inspetoria-Geral em novembro de 1895.
O general João Severiano da Fonseca faleceu em 1897, no Rio de Janeiro. Sua insigne figura foi escolhida Patrono do Serviço de Saúde em 1940, a qual foi homologada em decreto de 13 de março de 1962.

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A 29 de dezembro de 1864, nas longínquas e remotas paragens dos lindes de Mato Grosso, um tenente do Exército Brasileiro, no comando de uma guarnição isolada, escreveu uma das mais comoventes páginas da nossa história militar ao sacrificar sua vida na defesa de seu posto e, por via de conseqüência, do solo pátrio. Antônio João Ribeiro era seu nome.
Nascido na vila de Poconé, Província de Mato Grosso, em 24 de novembro de 1823, Antônio João ingressou na Força, como soldado voluntário, em 06 de março de 1841. Forjou seu caráter e desenvolveu seu acentuado valor profissional no dia-a-dia da caserna, galgando as graduações de cabo e sargento. Pelos indiscutíveis méritos evidenciados ao longo da carreira, atingiu o oficialato, sendo promovido a 1º tenente em 02 de dezembro de 1860 e comissionado como comandante da Colônia Militar de Dourados, à frente da qual viria a falecer quatro anos e 27 dias mais tarde.
Liderando um punhado de destemidos, incluindo quatro civis e uma mulher, não se intimidou ante o assédio de um inimigo muito mais numeroso e melhor equipado. Enviou mensageiro com um bilhete para o comandante do Distrito Militar de Miranda e rejeitou com altivez a intimação para render-se, não se furtando ao embate desigual.
Dispôs seus comandados nos postos de combate e aguardou o ataque. Tombou sob o peso da fuzilaria de mais de 200 bocas-de-fogo. A Pátria acabara de incorporar mais um bravo à sua galeria de Heróis.
NR: o mensageiro despachado por Antônio João não chegou ao seu destino. Foi capturado pelo inimigo. A mensagem que portava era pequena no tamanho e grande no significado. Ela extravasava o inarredável sentimento do dever de um militar, expresso nas poucas palavras ali colocadas pelo bravo tenente:
"Sei que morro, mas o meu sangue e o de meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo de minha Pátria".

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Nasceu em um pequeno povoado do interior de Minas Gerais, à margem direita do rio São Francisco, chamado Morada Nova, em 13 de fevereiro de 1913. Batizado, ganhou o nome de Antônio Álvares da Silva. Órfão com apenas um ano de idade, foi criado por família que prezava a religião católica. Depois da primeira comunhão, em 1920, passou a frequentar assiduamente o catecismo. Nele revelou-se nitidamente o pendor para a vida clerical, o apreço pelas coisas da Igreja, a compaixão pelos humildes. Foi assim que, tendo iniciado seus estudos em Divinópolis (MG), seguiu para a Holanda, de onde retornou para sua ordenação como sacerdote. Não era mais Antônio, mas, sim, o frei Orlando.
Ordenado frade, frei Orlando foi para São João del Rei, onde lecionou no Colégio de Santo Antônio, um estabelecimento de ensino dirigido pela Ordem dos Franciscanos Menores. Tinha 24 anos de idade. Caridoso, o jovem padre instituiu a "Sopa dos Pobres", uma obra de assistência social que chegou a receber o apoio voluntário de muitos integrantes do 11º Regimento de Infantaria (11º RI). Nessa época, deparou com os preparativos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a II Guerra Mundial, vendo a cidade em polvorosa com a chegada dos muitos convocados para integrar os contingentes da FEB.
Viu o 11º RI partir e não se conformou em permanecer impassivelmente na cidade. Assim, quando o então comandante do regimento, coronel Delmiro Pereira de Andrade, solicitou a indicação de um religioso para capelão militar ao Comissariado dos Franciscanos em São João del Rei, frei Orlando viu a oportunidade de concretizar um de seus mais acalentados sonhos: o de ser missionário sem fronteiras, ir a qualquer parte do mundo para multiplicar os discípulos de Deus. Integrou-se, então, à FEB, e seguiu para a Europa. Seu primeiro trabalho foi celebrar uma missa na catedral de Pisa para os pracinhas brasileiros.
Tempos depois, às vésperas da Tomada de Monte Castelo, durante uma visita à linha de frente, frei Orlando morreu vitimado por um tiro acidental de um partisan (membro da Resistência italiana ao nazifascismo). Contava com 32 anos de idade. O boletim n° 52, do 11º RI, de 22 de fevereiro de 1945, impresso em Docce, na Itália, registrou o passamento do capelão:
"Foi recebida, com dolorosa surpresa, a notícia do falecimento do capelão capitão Antônio Alvares da Silva (frei Orlando), vítima de um tiro, quando se dirigia de Docce para Bombiana, a fim de levar sua assistência espiritual aos homens em posição, no dia 20, quando do ataque ao Monte Castelo.
O sacerdote, que desapareceu da face da Terra após ter servido com a sua pureza de sentimento à religião e à Pátria, deixa imensa saudade no seio da organização católica a que pertencia. (...) No 11º Regimento de Infantaria, como chefe da Capelania, conquistou a todos pelas qualidades apostolares. (...) No teatro de operações, nos dias de maiores atividades bélicas, jamais deixou de levar o seu conforto espiritual ou o santo sacrifício da missa em qualquer circunstância, mostrando-se, além de religioso, um forte, um bravo, um verdadeiro soldado da Cruz de Cristo."
Finda a guerra, o governo brasileiro instituiu frei Orlando como patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exército, criado, em caráter permanente, por decreto-lei, no ano de 1946.

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Maria Quitéria de Jesus, a mulher-soldado, nasceu em São José de Itapororocas, no ano de 1797, na antiga Província da Bahia.
Em 1822, sob o ideal de liberdade, o Recôncavo Baiano lutava contra o dominador português que se negava a reconhecer a Independência do Brasil. Nesse clima, surge a figura de Maria Quitéria. A necessidade de efetivos fez com que a Junta Conciliadora de Defesa, sediada em Cachoeira-BA, conclamasse os habitantes da região a se alistarem para combater os portugueses.
Maria Quitéria, uma humilde sertaneja baiana, atendeu ao chamado, motivada pelos ideais de liberdade que envolviam seus conterrâneos. Ante a posição contrária do pai, foge de casa e, com o uniforme de um cunhado, incorpora-se inicialmente ao Corpo de Artilharia e, posteriormente, ao de Caçadores, com nome de Soldado Medeiros. O seu batismo de fogo ocorre em combate na foz do rio Paraguaçu, ocasião em que ficam evidenciados seu heroísmo invulgar e sua real identidade.
Em fins de 1822, a intrépida baiana, já com saiote tipo "highlander escocês" sobre o uniforme militar, incorpora-se ao Batalhão dos Voluntários de D. Pedro I, tornando-se, desse modo, oficialmente, a primeira mulher a assentar praça numa unidade militar, em terras brasileiras.
De armas na mão, participando de combates como o da Pituba e o de Itapuã, torna-se merecedora das mais honrosas citações de bravura, valor e intrepidez, passando a constituir-se em referência do heroísmo da mulher brasileira.
Finda a campanha baiana, Maria Quitéria embarca para o Rio de Janeiro.
A sua presença na Corte é cercada de muito respeito, em face da fama de sua coragem e da grande curiosidade decorrente das características de seu uniforme, por demais ousado para a época.
No dia 20 de agosto de 1823, D. Pedro I confere à gloriosa guerreira a honra de recebê-la em audiência especial. Sabedor da bravura e da maneira correta com que sempre se portara entre a soldadesca, num gesto de profunda admiração, concede-lhe o soldo de "Alferes de linha" e a condecoração de "Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro", em reconhecimento à bravura e à coragem com que lutara contra os inimigos da Pátria.
Maria Quitéria, no entanto, não se deixou levar pela vaidade e pelo fulgor da glória que conquistara. Depois de encerrada a guerra, a heroína recolheu-se ao silêncio do lar, falecendo no dia 21 de agosto de 1853, num "doloroso anonimato".
No ano do centenário do falecimento da valorosa mulher-soldado, o então Ministro da Guerra determinou, por intermédio do Aviso Nº 408, de 11 de maio de 1953, que em todos os estabelecimentos, repartições e unidades do Exército, fosse inaugurado, no dia 21 de agosto de 1953, o retrato da insigne patriota.
Finalmente, em 28 de junho de 1996, Maria Quitéria de Jesus, por decreto do Presidente da República, passou a ser reconhecida como Patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.

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Olavo Bilac nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Poeta, jornalista, fundador e membro da Academia Brasileira de Letras, foi um ardoroso nacionalista, abolicionista e grande propugnador do Serviço Militar Obrigatório e dos tiros-de-guerra. Percorreu o País, tanto as mais recônditas regiões, como as capitais, conclamando a mocidade para servir à Pátria que ele tanto amava. Precursor da campanha pela alfabetização, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros. Dentre sua extensa obra, destacam-se a letra do Hino à Bandeira, o poema épico "O Caçador de Esmeraldas" e o belo soneto "A Pátria". Na data do seu nascimento, 16 de dezembro, comemora-se o Dia do Reservista. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 53 anos.
Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac foi o mais ardoroso defensor do modelo de recrutamento, vigente há quase um século no Brasil. A constatação do absoluto ajustamento do sistema de conscrição à atualidade brasileira é, por si só, prova sobeja da visão prospectiva desse insigne patriota, mui justamente consagrado Patrono do Serviço Militar.
Quando Bilac engajou-se na campanha do Serviço Militar, descortinou-se a dimensão maior de sua personalidade, centrada em profundo patriotismo e dedicação ao Brasil.
As primeiras lições de civismo, colheu-as no próprio lar, em ambiente de simplicidade e dedicação.
Orador fecundo, enfático e inspirado, faria, mais tarde, ecoar por todos os recantos do Brasil, o seu protesto veemente ao divórcio dos meios civil e militar. Chegava a inflamar-se ao contestar as acusações de militarismo, que muitos, em sua época, atribuiam às medidas adotadas para o aperfeiçoamento do Serviço Militar.
O autor da letra do Hino à Bandeira e da grandiosa "Oração à Bandeira", empenhou-se, ainda, na ação educacional cívica, buscando a promoção dos mais puros ideais da nacionalidade. Sob essa inspiração, fundou a Liga de Defesa Nacional, em 1916, para lutar pela preservação de nossos valores maiores ao longo do tempo.
Bilac era, acima de tudo, um patriota consciente do momento histórico, um combatente pelo civismo, ao qual não hesitava em devotar-se, por inteiro. Em 1915 e 1916, empreendeu peregrinação pelo País, conscientizando os brasileiros da necessidade do Serviço Militar Obrigatório, pregando a verdadeira cidadania. Sua missão, iniciada em São Paulo, e ressonante no Rio de Janeiro, tornou-se alvo de destacada homenagem no Clube Militar. Prosseguiu rumo a Minas Gerais e ao Rio Grande do Sul, defendendo, com ardor, a associação de todos os brasileiros à sua causa.
Embora com sacrifício da saúde, Bilac alimentava o firme desejo de levar sua pregação ao Norte e ao Nordeste do Brasil, seguindo o itinerário que já havia traçado, durante suas viagens para a campanha de defesa do Serviço Militar.
Mas no apagar de 1918, quando a cidade do Rio de Janeiro se preparava para um novo ano, correram sentidas lágrimas pela notícia da morte do querido poeta. A mesma carreta de artilharia que servira para transportar o corpo de Osorio para o cemitério, conduziu Bilac ao sepulcro.
Na sua eternidade, a Pátria reverenciará sempre aquele que, com o coração e a ação, mostrou aos brasileiros a nobreza do dever militar.

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O Ten Cel médico João Muniz Barreto de Aragão, foi confirmado por Dec. 51.492 de 13 mar 1962, patrono do Serviço de Veterinária do Exército, por haver sido idealizador da Escola de Veterinária do Exército inaugurada em 17 jul 1914, se destacado no combate estratégico de doenças infecciosas e parasitórias que assolavam os rebanhos nacionais e atingiam inclusive os contigentes militares nos quartéis e haver sido o criador e primeiro dirigente, de 1911-12, do Serviço de Defesa Sanitária Animal do Ministério da Agricultura, ação com muitos positivos reflexos no estado sanitário das cavalhadas do Exército.
Muniz de Aragão foi Diretor da Escola de Veterinária do Exército em 1919 e Inspetor do Serviço de Veterinária.
Membro ativo da Academia Nacional de Medicina, em 30 jun 1912 propôs e a Academia encaminhou ao governo, medidas visando a melhorar as condições dos estábulos no Rio de Janeiro, com positivos reflexos na melhor qualidade do leite.
Muniz de Aragão nasceu em Santo Amaro, na Bahia, em 17 jun 1874 e faleceu no Rio de Janeiro em 16 jan 1922 com 48 anos de idade. Entre seus trabalhos literários registre-se "A distribuição de água aos exércitos em marchas e operações".
Hoje sabe-se de sua preocupação com a medicina preventiva, que não pode prescindir do veterinário, seja em inspeção de alimentos, seja, no saneamento básico, seja na produção de soros e vacinas, e seja, finalmente, nos levantamentos epidemiológicos de campo, atividades identificadas com a obra científica do Patrono do Serviço de Veterinária.
Muniz de Aragão, como acadêmico de Medicina, prestou relevantes serviços nos hospitais de sangue, na guerra de Canudos.
Muniz de Aragão praticou em alto grau as Virtudes Militares de Devotamento e Desprendimento.

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O Marechal Roberto Trompowiski Leitão de Almeida, foi consagrado, por Dec. 1429 de 13 mar 1962, patrono do Magistério do Exército, em razão de haver sido considerado mestre por excelência ou o mais competente e admirado professor, em cerca de 30 anos de Magistério na Escola Militar e Colégio Militar, que comandara posteriormente e, mais, na Escola do Estado - Maior em 1905. Sobre ele testemunhou seu ex-aluno e destacado professor Alfredo Severo: "... Coronel Trompowiski duplo gigante na estatura e no saber... Dotado de todos os requisitos para o árduo mister de ensinar, o grande mestre reunia um completo domínio da difícil matéria (Cálculo Integral), o dom de expô-la com clareza cartesiana, sulcada de rasgos de eloqüência, em que se aliavam harmoniosamente ao mais puro vernáculo, o gesto estatutário, que modela as formas geométricas no espaço, antes de traçá-las a giz, com a mão certeira de um perfeito desenhista, no plano do quadro negro... Da primeira a última aula, sua linguagem límpida era sempre a mesma, elevada e impessoal... Ninguém como ele para saber vazar o raciocínio matemático nos moldes impecáveis da língua castiça".
Ele foi assistente de Rui Barbosa na Conferência de Haia e adido militar da Inglaterra, Suécia e Itália (1905-07). Em Paris, ao procurar o mais completo livro de Cálculo Integral indicaram-lhe o de um tenente polonês que em realidade era o dele, um brasileiro. Trompowiski nasceu em Florianópolis em 8 fev 1853 e faleceu no Rio, em 2 ago 1926, aos 73 anos.

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Desde as origens do Exército Brasileiro, na épica Batalha dos Guararapes, destacaram-se vultos que, mercê de seus atributos de liderança, coragem, desprendimento, abnegação e estoicismo, serviram de exemplo vivo, cujas memórias são perpetuadas pela Força Terrestre ao nomeá-los seus Patriarcas e Patronos.
Em reconhecimento à magnitude de sua personalidade e aos seus exemplos de união familiar, de patriotismo e de devoção ao Brasil e à causa militar, o Exército Brasileiro instituiu dona Rosa da Fonseca como a Patrono da Família Militar.
Rosa Maria Paulina da Fonseca nasceu em 18 de setembro de 1802, na então Cidade de Alagoas, capital da Província de mesmo nome, atual município de Marechal Deodoro.
Em 1824, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, casa-se com o Major do Exército Imperial Manoel Mendes da Fonseca, valoroso militar e grande monarquista.
Mulher de caráter varonil, sempre o apoiou em suas resoluções e o acompanhou, intimorata, nos transes da vida, até seu falecimento, já reformado no posto de Tenente-Coronel, em 24 de agosto de 1859.
Dessa união nasceram dez filhos, sendo duas mulheres, Emília e Amélia, e oito varões. Todos os homens abraçaram a carreira das Armas, ocupando posições de destaque na vida militar, na Política e na Administração Pública Brasileira.
Quando eclodiu a Guerra da Tríplice Aliança, sete de seus filhos seguiram para os campos de batalha. Permaneceu junto a ela seu filho Pedro Paulino, tenente reformado do Exército, literato e estatístico, futuro governador de Alagoas e senador federal por esse Estado.
Na cruenta Batalha de Curuzu, entre 1º e 3 de setembro de 1866, tomba em combate seu filho mais jovem, Afonso Aurélio, aos 21 anos de idade, Alferes do 34º Batalhão de Voluntários da Pátria, atingido quando galgava as muralhas daquela fortificação.
Poucos dias depois, em 22 de setembro de 1866, durante a sangrenta Batalha de Curupaity, outro de seus filhos, o Capitão de Infantaria Hyppólito, perde a vida heroicamente.
Em 6 de dezembro de 1868, na célebre Batalha de Itororó, as "Termópilas paraguaias", a primeira das batalhas da "Dezembrada", outro de seus filhos sucumbe ante o fogo inimigo, o Major de Infantaria Eduardo Emiliano.
Nessa mesma Batalha, dois outros filhos, Hermes e Deodoro, foram gravemente feridos, sendo que esse último recebera três ferimentos por tiros de fuzil.
Durante as comemorações pela vitória em Itororó, ao ser informada da morte de Eduardo e da situação de Hermes e Deodoro, teria dito: "Sei o que houve. Talvez até Deodoro esteja morto, mas hoje é dia de gala pela vitória; amanhã, chorarei a morte deles".
Conta-se também que, ao receber o Oficial que lhe apresentaria os pêsames em nome do Imperador, respondeu que a vitória que a Pátria alcançava, e que todos tinham ido defender, valia muito mais que a vida de seus filhos.
Rosa Maria Paulina da Fonseca, a "Mãe dos Sete Macabeus", faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 11 de julho de 1873, aos 70 anos de idade.
Dentre seus filhos que regressaram vivos da Guerra da Tríplice Aliança, destacou-se, especialmente, o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, Proclamador da República, Chefe do Governo Provisório e Primeiro Presidente Constitucional da República dos Estados Unidos do Brasil.
Destacou-se, também, de forma singular, o eminente médico militar, General de Brigada João Severiano da Fonseca, escolhido, em 1962, para ser o Patrono do Serviço de Saúde do Exército Brasileiro.
Seu neto, o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, foi o 8º Presidente da República, exercendo seu mandato entre 1910 e 1914.
Ao instituir o dia 18 de setembro, data natalícia de Dona Rosa da Fonseca, a Matriarca Exemplar, como o Dia da Família Militar, o Exército Brasileiro presta a devida homenagem à família, na figura de Rosa da Fonseca, reconhecendo a importância do espírito de sacrifício e de luta, o qual possibilita aos integrantes da Força Terrestre alcançarem o sucesso pessoal e profissional, com o sentimento de dever cumprido, seja qual for a missão.

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Nasceu à época da união das coroas ibéricas, pois seu pai era português e o comandante da Praça de Callao.
Valoroso militar, foi escolhido para comandar as tropas luso-brasileiras na Insurreição Pernambucana, que expulsou do Nordeste os holandeses.
Regressou à metrópole para participar na Guerra da Restauração, assumindo responsabilidades de capitão-de-cavalos na defesa da região alentejana[1].[2].
De novo no Brasil, em 1647, foi promovido a "Mestre-de-Campo-General" que dirigiu o "Exército Libertador ou Patriota" de 25 mil homens, integrado por quatro Terços, comandados por Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Filipe Camarão, vencendo os holandeses nas memoráveis Batalhas dos Guararapes, em 1648 e 1649, pelo que recebeu o título de "Restaurador de Pernambuco".
Foi governador de Pernambuco e posteriormente, de 18 de junho de 1657 a 21 de julho de 1663, governador-geral do Brasil, sucedendo ao conde de Atouguia D. Jerónimo de Ataíde.
Em 6 de agosto de 1661 foi assinado o tratado de paz entre Portugal e a Holanda, pelo qual Portugal prometia uma indenização de quatro milhões de cruzados a serem pagos em 16 anos, 250 mil por ano, em dinheiro ou em açúcar, sal e tabaco), porque a Holanda «perdera» Pernambuco: este Tratado da Haia legitima a perda da maioria das colônias portuguesas no Oriente e repercutiu numa política estatal de transformar a economia da Amazônia, estimulando cultivo de espécies asiáticas e nativas, ampliando a importação de africanos, o que só se desenvolverá sob as práticas colbertistas de Pombal. Com o problema da sucessão espanhola, mais tarde, a Inglaterra usaria a dívida portuguesa, não paga, para pressionar Lisboa, como em 1697.
O vencedor de Guararapes, na sua capacidade de governador-geral do Brasil, recebeu a Carta Real de 4 de fevereiro de 1662, que lhe recomendava iniciar e organizar a arrecadação da contribuição brasileira anual por 16 anos de 120 mil cruzados para pagar a paz com a Holanda e de 20 mil para o dote da Infanta D. Catarina de Bragança, que casaria com o rei da Inglaterra. Tinha assim o Brasil que pagar 2 milhões 240 mil cruzados mais 320 mil cruzados. Barreto reuniu no palácio em Salvador as pessoas mais notáveis e acordaram as quotas das capitanias: a Bahia, a mais opulenta, pagaria a metade; o Rio de Janeiro pagaria 26 mil cruzados - a Câmara decidiu criar varias taxas adicionais sobre comércio, 4% sobre o açúcar, 2% sobre todas as importações, mas que nunca produziram rendas suficientes... Pernambuco, saído de guerra devastadora, Itamaracá e Parnaíba, pagariam 30 mil; São Vicente, 4 mil; Ilhéus, Porto Seguro e Espírito Santo ainda teriam que pagar. O pedido, donativo ou finta Real (não era tributo, pois as Cortes não intervinham) correria a agosto daquele mesmo ano.
Coube a Francisco Barreto de Meneses organizar uma expedição de bandeirantes paulistas para «reprimir as correrias do gentio no sertão baiano». A expedição teve no comando dois sertanistas do partido dos Camargos, Domingos Barbosa Calheiros e Fernando de Camargo. Chegou à cidade de Salvador em outubro de 1658, encetando a campanha que teve desastroso efeito. Enquanto isso em São Paulo havia recrudescido a luta entre as duas famosas famílias dos Pires e dos Camargos, e o governador-geral, sem poder se deslocar à capitania, incumbiu da paz o ouvidor geral da Repartição do Sul, Pedro de Mustre Portugal. Estando os dois partidos exaustos, este conseguiu fazer assinar a paz em 1 de janeiro de 1660.

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Nascido no engenho São João, na Capitania da Paraíba, André Vidal de Negreiros era filho de Francisco Vidal, natural de Lisboa, e de sua mulher Catarina Ferreira, nascida em Porto Santo, ilha da Madeira. Nunca se casou mas, por testamento, dotou seus vários filhos bastardos com heranças materiais, enquanto o sobrinho, filho de sua irmã e militar de carreira, recebeu as insígnias da nobreza. Dentre seus filhos, destaca-se Matias Vidal de Negreiros, que, à revelia do pai e pela graça do rei, acabou por ser legitimado, tornando-se nobre, além de lhe ter sido confiada a administração da considerável fortuna paterna. E assim, a contragosto das autoridades locais, Matias Vidal de Negreiros, mesmo sendo mulato e bastardo, tornou-se um homem muito poderoso.
A atriz Alessandra Vidal de Negreiros Negrini (n. 1970) também é sua descendente pelo lado materno.
No contexto das invasões holandesas do Brasil (1624-1654), André Vidal de Negreiros lutou contra os holandeses na Salvador na Bahia (1624). Após oito anos em Portugal e Espanha, voltou ao Brasil para lutar contra o governo do príncipe holandês Maurício de Nassau, instalado em Pernambuco e capitanias vizinhas, participando de todas as fases da Insurreição Pernambucana (1645-1654), quando mobilizou tropas e meios no sertão nordestino.
Foi nomeado Mestre-de-Campo, notabilizando-se no comando de um dos Terços do Exército Patriota, nas duas batalhas dos Guararapes, em 1648 e 1649, juntamente com João Fernandes Vieira, Henrique Dias e Filipe Camarão. Comandou o sítio de Recife que resultou na capitulação holandesa no ano de 1654.
Batalha dos Guararapes.
Encarregado de levar ao rei D. João IV (1640-1656), a notícia da expulsão dos holandeses, foi condecorado pelo soberano e sucessivamente nomeado Governador e Capitão-Geral da Capitania do Maranhão e do Grão-Pará (1655-1656). Posteriormente foi governador da capitania de Pernambuco (1657-1661), de Angola (1661-1666) e, novamente, de Pernambuco (1667).
O historiador Veríssimo Serrão, complementa:
"Dirigiu as operações de guerra até 1654, sendo, na opinião de Varnhagen, o grande artífice da expulsão dos holandeses. A Coroa utilizou depois deu valimento como governador das Capitanias do Maranhão (1656-1666) e de Pernambuco (1657-1661 e 1667), mandando-o também governar o Estado de Angola (1661-1666). Embora o considere um valente cabo-de-guerra, Charles R. Boxer limita o papel de Negreiros na chefia do movimento, por considerar que foi João Fernandes Vieira o principal herói da reconquista de Pernambuco." Vidal de Negreiros faleceu no Engenho Novo da Vila de Goiana, Pernambuco, em 1680, aos 74 anos.
Em que pese seu valor como heroico líder da Insurreição Pernambucana, vale lembrar que a disputa pelo território brasileiro inseria-se no contexto da Guerra Luso-Holandesa, que, por sua vez, era parte do quadro da Guerra da Restauração. Portanto, a expulsão dos holandeses de Pernambuco, em 1654, não significou o encerramento da questão, que, de fato, só começaria a ser resolvida a partir de 1661, pela via diplomática, mediante a assinatura do Tratado de Haia. Nos termos desse acordo, a Nova Holanda foi "vendida" a Portugal por quatro milhões de cruzados (ou oito milhões de florins), quantia equivalente a cerca de 4,5 toneladas de ouro e pelo Tratado de Paz, Aliança e Comércio, firmado em julho de 1669.

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João Fernandes Vieira (Faial, c. 1613 — Olinda, 1681) foi senhor de engenho e um dos principais chefes militares nas lutas pela expulsão dos holandeses de Pernambuco.
Apesar das muitas dúvidas e controvérsias acerca da origem de João Fernandes Vieira, um dos heróis da Restauração Pernambucana, pode-se afirmar que nasceu na Ilha da Madeira em 1613, numa época de opressão e de pobreza, em que dominava o governo castelhano.
O historiador português Veríssimo Serrão, recorda que a biografia deste militar:
"(...) se mantém coberta de sombras e que se tornou uma personagem quase lendária da Restauração no Brasil. Nascido ao redor de 1610 na ilha da Madeira, era mulato e de origem humilde. Tendo emigrado para Pernambuco, ali exerceu pequenos mesteres até 1635, quando a proteção dos holandeses lhe fez adquirir alguns meios de fortuna. Pouco depois era senhor de cinco engenhos, exerceu o cargo de vereador de Maurícia e obteve a contratação dos dízimos sobre o pau-brasil e o açúcar."
Conforme o historiador brasileiro Oliveira Lima, "João Fernandes Vieira, apesar de ser de cor, governou Angola e Pernambuco".
Já segundo o Nobiliário da Ilha da Madeira, de Henrique Henriques de Noronha, também mencionado na obra de José Antonio Gonsalves de Mello, o verdadeiro nome de Vieira era Francisco de Ornellas, filho segundo do fidalgo Francisco de Ornellas Moniz e de sua esposa D. Antônia Mendes, que, sendo rapaz, fugiu para o Brasil, onde mudou de nome. Teria nascido na capitania de Machico em 1613. Os sobrenomes Fernandes e Vieira homenageavam os seus ancestrais Pedro Vieira, o grande morgado da Ribeira de Machico, e António Fernandes, sesmeiro nas Covas do Faial, no Norte da ilha.
Tradicionalmente, considera-se que chegou à Capitania de Pernambuco, no Brasil, em 1620, possivelmente com menos de dez anos de idade. Humilde, trabalhou no comércio em Olinda, tendo participado, ao lado das forças de Matias de Albuquerque, da resistência à segunda das Invasões holandesas do Brasil em 1630. Poucos anos mais tarde, trabalhava na cidade para um abastado comerciante e senhor de engenho judeu neerlandês, Jacob Stachhouwer, pessoa ligada à Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.). No convívio e no trato com os invasores, conhecendo bem Maurício de Nassau, acumulou propriedades rurais, enriqueceu, tornando-se abastado senhor de engenho que, pelos destinos da guerra, veio a perder.
Em 1639, Vieira já era uma pessoa importante na sociedade pernambucana, tendo sido indicado para o cargo de escabino (membro da Câmara Municipal) de Olinda. Posteriormente, foi escabino de Maurícia (Recife) de julho de 1641 a junho de 1642, sendo reconduzido, no exercício de 1642 a 1643.
Em 1643, casou-se com Maria César, filha do madeirense Francisco Berenguer de Andrada e de Joana de Albuquerque, descendente de Jerônimo de Albuquerque. Com o casamento, João Fernandes Vieira ingressou definitivamente na aristocracia rural pernambucana.
Ainda de acordo com Veríssimo Serrão:
"(...) em 1642, aumentou os seus bens, e viu-se feito capitão de um Corpo de Ordenanças, continuando a beneficiar de empréstimos da Companhia para manter seus negócios. Ser-lhe-ia, portanto, mais fácil garantir a independência financeira, em vez de obedecer a razões de ordem religiosa para hostilizar os holandeses, como o veio a fazer desde 1644. O seu comportamento posterior, assente em actos de coragem, mostra que Vieira sentiu o ideal da Restauração e o antepôs, com todos os riscos, ao valimento social que auferia em Pernambuco."
Após a partida de Maurício de Nassau do Recife, em 1644, passou a se opôr aos invasores, assumindo a liderança da insurreição de 1645, vindo a receber apoio de seu amigo, o frei Manuel Calado, que do seu púlpito convocou o povo à luta contra os "hereges" e redigiu "O Valeroso Lucideno" (Lisboa, 1648).
Batalha dos Guararapes.
Em 1645, Vieira foi o primeiro signatário do pacto então selado - no qual figura o vocábulo pátria pela primeira vez utilizado em terras brasileiras. Na função de mestre-de-campo, comandou o mais poderoso terço do Exército Patriota nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649). Por seus feitos, foi aclamado Chefe Supremo da Revolução e Governador da Guerra da Liberdade e da Restauração de Pernambuco.
Os principais chefes militares do movimento de restauração de Pernambuco contra o domínio holandês foram, além de Vieira, André Vidal de Negreiros; Antônio Filipe Camarão, à frente dos índios da costa do Nordeste; Henrique Dias, no comando de pretos, crioulos e mulatos; e o capitão Antônio Dias Cardoso, tendo-se transformando em heróis do imaginário nativista pernambucano. A "guerra da liberdade divina", nas palavras do padre Antônio Vieira, durou nove anos, sendo de assinalar que o governador de Pernambuco, António Teles da Silva, dava apoio encoberto à revolta, enquanto os holandeses pensavam que se tratava apenas de uma sublevação na capitania de Pernambuco. A diplomacia de D. João IV de Portugal, entretanto, tentava, na Europa, não indispor a Holanda. O que ocorria no Recife não tinha o apoio da Coroa, por isso o conflito entre o governador e os colonos revoltados, na primavera de 1646. Antônio Teles da Silva chegou a ser mandado regressar a Lisboa, onde esteve detido em São Gião como colaborador dos movimentos de Pernambuco, mas, aproveitando da vitória de Tabocas, foi possível recuperar outras zonas em poder dos holandeses: os fortes de Sergipe, do rio São Francisco, do Porto Calvo, de Serinhaém e de Nazaré.
Com a paz, após 1654, Fernandes Vieira recuperou os seus bens e, entre outros cargos, foi nomeado Governador e Capitão-Geral da Capitania da Paraíba (1655-57). Mais tarde, foi nomeado governador e Capitão-general de Angola (1658-61). Exerceu também o cargo de Superintendente das Fortificações do Nordeste do Brasil, de 1661 a 1681.

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Henrique Dias foi um português nascido na ex colônia portuguesa do Brasil, filho de escravos africanos libertos nascido em princípios do século XVII, na capitania de Pernambuco, Brasil.
Negro liberto, foi mestre-de-campo e cavaleiro da Ordem de Cristo.
No contexto das Invasões holandesas do Brasil, ofereceu-se como voluntário a Matias de Albuquerque para lutar contra os holandeses, tendo recrutado um grande efetivo de africanos oriundos dos engenhos conquistados pelos invasores.
Participou de inúmeros combates, distinguindo-se por bravura, nos combates de Iguaraçu onde foi ferido duas vezes, participou ainda da reconquista de Goiana e, notoriamente, em Porto Calvo, em 1637, quando teve a mão esquerda estralhaçada por um tiro de arcabuz. Sem abandonar o combate, decidiu a vitória na ocasião.
Estando Portugal em trégua com a Holanda, Dom João IV desautorizara a Insurreição Pernambucana contra o domínio holandês, do que estes muito se valiam espalhando a notícia. Henrique Dias, no entanto, sem autorização superior escreveu-lhes:
“Meus senhores holandeses. Meu camarada, o Camarão, não está aqui; mas eu respondo por ambos. Saibam Vossas Mercês que Pernambuco é Pátria dele e minha Pátria, e que já não podemos sofrer tanta ausência dela. Aqui haveremos de perdar as vidas, ou havemos de deitar a Vossas Mercês fora dela. E ainda que o Governador e Sua Majestade nos mandem retirar para a Bahia, primeiro que o façamos havemos de responder-lhes, e dar-lhes as razões que temos para não desistir desta guerra.”
Títulos de Fidalgo
Devido aos serviços prestados, recebeu títulos de fidalgo, a mercê do Hábito da Ordem de Cristo e a patente de Mestre de campo. Conhecido como Governador dos crioulos, pretos e mulatos do Brasil, envolveu-se ainda na repressão a quilombos, tendo sido cogitado pelo vice-rei Marquês de Montalvão, em novembro de 1640, para combater um quilombo no sertão da Bahia, o que foi recusado pelos vereadores de Salvador.
Como mestre-de-campo, comandou o Terço de Homens Pretos e Mulatos do Exército Patriota, também denominados Henriques, nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649), vindo a falecer em 1662, oito anos após a vitória sobre os holandeses. Pela criação desse Terço, pode ser considerado o "pai" das milícias negras no Brasil.
Patrono de uma Organização Militar do Exército
Retrato de Henrique Dias, de autor anônimo, acervo do Museu do Estado de Pernambuco.
Pela sua vida de bravura, dedicação, coragem e liderança foi escolhido, no ano de 1992, patrono do então 28º Batalhão de Infantaria Blindada (28º BIB), atualmente, 28º Batalhão de Infantaria Leve (28º BIL) localizado em Campinas - SP.
Família
Seu genro Pedro de Val de Vezo herdou os títulos de Henrique Dias, que incluíam a Comenda de Soure e o título de cavaleiro da Ordem de Cristo. Sua outra filha, Benta Henriques, casou com o Capitão do Terço de Homens Pretos e Mulatos Amaro Cardigo, que também era negro. Cardigo cobrou da coroa o título de cavaleiro da Ordem de Santiago que foi prometida por Luísa de Gusmão aos genros de Henrique Dias. Este pedido foi negado pela ordem após três apelações.

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Antônio Filipe Camarão[1] (Raposa, Vale do Baquipe - Ceará Mirim[2], c. 1580/1600 — Recife, 24 de agosto de 1648) foi um indígena brasileiro da tribo potiguar, nascido no início do século XVII em Raposa, vale do Baquipe, (Ceará Mirim), na então Capitania do Rio Grande (hoje, o estado do Rio Grande do Norte)[1]. Tinha, como nome de nascença, Poty ou Potiguaçu, nomes tupis que significam, respectivamente, "camarão" e "camarão grande". Ao ser batizado e convertido ao catolicismo em 1614, na antiga Igreja de São Miguel (Extremoz), recebeu o nome de Antônio e adotou o "Filipe Camarão" em homenagem ao soberano dom Filipe II (1598-1621).
Educado pelos jesuítas, era ele, segundo frei Manuel Calado, "destro em ler e escrever e com algum princípio de latim"; considerava de suma importância a correção gramatical e a pronúncia do português, "era tão exagerado em suas coisas, que, quando fala com pessoas principais, o fazia por intérprete (posto que falava bem o português) dizendo que fazia isto porque, falando em português, podia cair em algum erro no pronunciar as palavras por ser índio". Seu trato era comedido e "mui cortesão em suas palavras e mui grave e pontual, que se quer mui respeitado".
Uma visão romântica de Filipe Camarão, por Victor Meireles
No contexto das invasões holandesas do Brasil, auxiliou a resistência organizada por Matias de Albuquerque desde 1630, como voluntário para a reconquista de Olinda e do Recife. À frente dos guerreiros de sua tribo, organizou ações de guerrilha que se revelaram essenciais para conter o avanço dos invasores.
Sempre acompanhado de sua esposa, Clara Camarão, tão combatente quanto ele, destacou-se nas batalhas de São Lourenço (1636), de Porto Calvo (1637) e de Mata Redonda (1638). Nesse último ano participou ainda da defesa de Salvador, atacada por Maurício de Nassau.
Distinguiu-se, na primeira, comandando a ala direita do exército rebelde na Primeira Batalha dos Guararapes (1648), pelo que foi agraciado com a mercê de "dom", o "hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo", o "foro de fidalgo com brasão de armas" e o título de "capitão-mor de Todos os índios do Brasil".
Morreu no Arraial Novo do Bom Jesus (Pernambuco), em 24 de agosto de 1648, em consequência de ferimentos sofridos no mês anterior, durante a Batalha dos Guararapes. Após a sua morte, foi sucedido no comando dos soldados insurgentes indígenas por seu sobrinho dom Diogo Pinheiro Camarão.
O Palácio Filipe Camarão, sede da prefeitura de Natal, e um bairro da mesma cidade, homenageiam o seu nome. Da mesma forma, o Exército Brasileiro denomina a Sétima Brigada de Infantaria Motorizada como Brigada Filipe Camarão.

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.: REFERÊNCIAS ACERCA DAS BIOGRAFIAS DOS PATRONOS :.

O portal do Centenário do Tiro de Guerra de Itapetininga/SP agradece ao Exército Brasileiro pelas informações biográficas constantes que replicadas foram de seu portal no endereço http://www.eb.mil.br/patronos. Demais informações foram também obtidas na wikipedia https://pt.wikipedia.org/. As imagens foram todas obtidas na Internet por se encontrarem em domínio público.

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